Entenda o conceito de Due Diligence: o que é, para que serve e como fazer?

Atualizado: 30 de mai.



Procedimento investiga possíveis riscos e situações que possam influenciar nas negociações de um futuro investimento

A Due Diligence (diligência prévia) é o termo utilizado para definir o procedimento de auditoria e investigação prévia a respeito de um determinado negócio e/ou empreendimento no qual se pretenda investir. Em síntese, é uma forma sistemática de analisar e mitigar o risco de uma decisão de negócios ou investimento.

O propósito é coletar, apurar e avaliar toda e qualquer informação que influencie na tomada de uma decisão ou na condução de uma transação. O processo é uma forma de reduzir a exposição aos riscos, garantindo que o investidor esteja ciente de todos os detalhes antes de realizar um investimento ou efetivar uma negociação.

O termo se aplica a muitas situações, principalmente, a transações comerciais. Os exemplos incluem a venda ou a compra de bens e serviços; a implementação de sistemas ou operações, técnicas industriais ou até mesmo para a inspeção de uma propriedade antes de concluir a compra. Frequentemente é demandada por analistas de pesquisa de ações, gestores de fundos, investidores individuais e empresas que buscam fusão ou aquisição de outras entidades corporativas. Por isso, contar com uma consultoria jurídica empresarial é essencial durante as transações.

No segmento empresarial, Due Diligence simboliza a ponderação, a prudência e a prevenção de fatores de risco que estejam atrelados a uma determinada negociação ou operação. Normalmente, compreendem análise de dados financeiros, apuração de ativos e passivos, avaliação de operações, práticas de negócios, análise de patrimônio e demais elementos inerentes ao investimento. Com a realização de Due Diligence será possível responder a algumas perguntas importantes sobre a gestão e propriedade da empresa, como por exemplo:


  • Que tipo de risco, e em que tempo, poderia resultar no fracasso da empresa?

  • Existem questões legais ou regulamentares pendentes?

  • A administração está tomando decisões que levam a um aumento nas receitas da empresa?

  • A empresa é sustentável?

  • Quais são as tendências de receita, lucro e margem?


Ao examinar os números da receita e do lucro, as informações coletadas sobre a capitalização de mercado, observando se o crescimento é instável ou consistente e concentrando esforços para acumular informações detalhadas da empresa, o investidor terá as ferramentas necessárias para embasar a tomada de uma decisão assertiva.

Tipos de Due Diligence

• Financeira – Dentre os elementos auditados são investigadas as previsões e projeções financeiras da empresa; receitas, lucros e despesas, tendências de crescimento; dívidas de curto e longo prazo; avaliação do balanço patrimonial e demais itens relacionados às finanças. A ideia é averiguar a exatidão dos registros financeiros, compreender o desempenho geral, a estabilidade e ter uma noção geral de como a empresa é lucrativa, detectando todo e qualquer problema subjacente.

• Legal – A área legal envolve a revisão de litígios em potencial ou em andamento, os contratos firmados, os documentos corporativos, e demais componentes de cunho jurídico da corporação. O objetivo é determinar se a empresa-alvo é idônea ou se está envolvida em questões legalmente prejudiciais.

• Operacional - Envolve o exame de todos os elementos das operações de uma empresa. O objetivo é avaliar a matéria, a tecnologia, as instalações e demais componentes atrelados, evidenciando quaisquer riscos ou passivos ocultos.

• Negócios – A área comercial identifica o mercado consumidor e indica o setor em que a empresa atua. Auxilia na prevenção de riscos associados aos clientes da empresa adquirente e à compreensão dos planos e práticas de negócios. Índices de avaliação em comparação com concorrentes, benchmarks da indústria, tamanho dos mercados finais para os produtos, avaliação dos setores em que opera e com quem compete, são alguns itens a serem investigados.

• Recursos Humanos – Investiga-se a estrutura organizacional da empresa e se concentra no seu ativo vital, ou seja, em seus funcionários.

• Ambiental – É a prévia investigação acerca da sustentabilidade e do impacto ambiental dos processos, equipamentos e instalações da empresa em relação às normas e regulamentos ambientais. O objetivo é prevenir eventuais prejuízos, a exemplo de multas ou até mesmo penalidades mais severas, como o fechamento de fábricas.

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Como visto, o Due Diligence ajuda a entender como é o valor total de mercado, estimativas de receita e de lucro; vantagens, forma de gestão e riscos inerentes; tendências de longo prazo que afetam a indústria; detalhes específicos da empresa sobre parcerias, joint ventures, propriedade intelectual e novos produtos e serviços, além de uma gama de fatores essenciais à tomada de decisão.

A partir dessa prévia investigação, haverá a capacidade de avaliar o potencial de lucro futuro da empresa e como as ações podem se encaixar em seu portfólio ou estratégia de investimento. Inevitavelmente, haverá áreas que exigirão mais detalhamento e um maior engajamento de investigação. No entanto, essa conduta influenciará positivamente na decisão do investidor.

Portanto, realizar a Due Diligence significa obter os necessários meios para tomar uma decisão sábia e assertiva quanto à condução de uma negociação ou investimento. É fundamental que as empresas investiguem de perto os investimentos potenciais e entendam o verdadeiro valor do negócio. Caso contrário, estarão desperdiçando grande parte de seu ativo e de seu tempo.

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